Segunda-feira, Julho 20, 2009

Espelhos

“Às vezes o espelho aumenta o valor das coisas, às vezes, anula. Nem tudo o que parece valer acima do espelho resiste a si próprio refletido no espelho.”
As cidades invisíveis – Italo Calvino

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Da Vinci no Muro

 
  
 

Essa é uma casa em Corumbá-MS, na Rua Cabral. Não conheço o dono, tampouco sei porque expõe essas réplicas, mas sempre há algo de arte ou poesia em seus muros. Se bem me lembro, foi aí que li pela primeira vez, ainda menino, os versos de Fernando Pessoa: "o poeta é um fingidor".

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Domingo, Julho 19, 2009

Efeito das novas cidades

“Ao chegar a uma nova cidade, o viajante reencontra um passado que não lembrava existir: a surpresa daquilo que você deixou de ser ou deixou de possuir revela-se nos lugares estranhos, não nos conhecidos.”

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Sex Drive

Sex Drive (Rumo ao Sexo) não é um filme lá grande coisa. É apenas mais um desses besteiróis americanos sobre virgens. Ao que parece esse ainda é o grande temas para as comédias adolescentes produzidas em Hollywood.
Mas Sex Drive, apesar dos clichês e do humor barato, pode conduzir a alguma diversão descontraída. O filme se baseia na viagem de um adolescente que cruza o país para encontrar uma namorada virtual e perder a tão aclamada virgindade. Nesse caso, o importante é o caminho, muito mais do que chegar lá, a graça está na estrada e nos desencontros e absurdos que acontecem.
Não deixa de ser uma espécie de Superbad...

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Sábado, Julho 18, 2009

Poeta

Você escreve qualquer coisa de uma maneira um pouco pretensiosa e logo um amigo te chama de poeta. E ele o faz conscientemente. Ele sabe que isso te seduzirá. Ele sabe que isso te deixará vaidoso. Ele sabe que isso te fará escravo. Então ele diz “Poeta”. Assim, sem introdução, sem reservas, sem pudor. Então, depois da primeira vez que te enunciam poeta é como se formalizassem uma maldição daquelas bem elaboradas, um feitiço, um encantamento. Você gasta o tempo construindo pontes imaginárias entre adjetivos e substantivos, passa horas elaborando senhas semânticas, semanas a fio com combinações frásicas, anos dedicados à escrita e a realidade não vale nada, exceto se você a descreve com artifícios lingüísticos. Mas não, você não se torna poeta. Isso não passa de ilusão e engano, engodo da musa, sereia de cantos impuros e que atraem para as profundezas do oceano. Não, apesar de suas muitas linhas, apesar de seu apego às palavras, a despeito de seus muitos escritos, você não é um poeta, nem um escritor. Você é apenas o nada, a burla do estereótipo, o fracasso mesmo na mediocridade. Tudo não passa de um devaneio inconsequente. Você não passa de um pretensioso, cuja obra não passará de um pó de letras na imensidão do inconsciente de si mesmo, nada mais. Nada, o zero, a ilusão, a desilusão, o fracasso, a finitude. E você se dá conta de que já não é nada, nem sagrado nem profano nem poeta. Nada, exceto a busca inútil por poesia.

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Linguagem

“Não existe linguagem sem engano”

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Sexta-feira, Julho 17, 2009

Tiro Certo

Tiro Certo (Kill Shot) é um filme baseado em romance homônimo de Elmore Leonard. Pra mim, isso é suficiente para querer assisti-lo.
Um assassino profissional bastante conhecido se une a um criminoso em ascensão e dois estilos completamente distintos de atuação criminosa se unem, embora nada dê exatamente certo. Uma testemunha os vê e passa a ser protegida pelo serviço de proteção à testemunha. A partir daí começa a caçada dos assassinos, que passam a ver seu objetivo de uma forma ainda mais cobiçada.
A referência à cultura indígena não falta, traço do escritor de western. Também o enredo me lembra um pouco os livros de faroeste, embora menos estereotipado e melhor trabalhado.
O filme conta com o peso do ressuscitado Mickey Rourke e com a beleza clássica de Diane Lane, além de Joseph Gordon Levitt (tentando sair da adolescência), Rosario Dawson e Thomas Jane.
Um filme medíocre, mas com algo de ação e brutalidade.

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Sherlock Holmes



Sherlock Holmes, de Guy Ritchie, parece que vai ter mais ação e menos reflexão. Já dá pra intuir alguns dos deliciosos absurdos típicos do diretor. Parece que não vai ser fiel ao personagem dos livros, mas, convenhamos, alguém gostou dos que foram fiéis? Quase seis meses de espera ainda... mas promete muito.

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Quinta-feira, Julho 16, 2009

Pizzaiolos picaretas

O Lula disse que nossos congressistas são bons pizzaiolos. Isso tudo bem. A gente se acostuma ao que diz o Presidente. O que me impressionou foi a justificativa dada pelo Aloísio Mercadante. Ele simplesmente inverteu tudo o que o Lula disse, para afirmar que o Presidente respeitava o Congresso. Revolução dos Bichos e o burro está cada vez mais cego.

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Parents say, children do



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Passado

A porta do passado se abre e range
ruídos esquecidos retornam inquietos
risos de sarcasmo e deboche
surgem de suas covas rasas

A insepulta humilhação marca com fogo
o couro já duro e fustigado
pela exposição às lágrimas do sol
irrupções epidérmicas de tristeza e sofrer

A porta do passado nunca se fecha
por ela a réstia de escuridão
ilumina qualquer (im)possível alegria

A porta do passado é enterrada
pelas falhas geológicas da memória
mas permanecem lá a porta e o passado.

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Quarta-feira, Julho 15, 2009

O jardineiro

Ele tinha 55 anos e ela 20. Ela quis desenhar um novo jardim e o esposo consentiu. Dividiram o trabalho, e enquanto ele comprava as sementes, ela contratou o jardineiro. As rosas florescem e resplandecem. E ela, mais.
(Texto de Mario Halley Mora traduzido por mim)

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Terça-feira, Julho 14, 2009

Futuros impossíveis

“Os futuros não realizados são apenas ramos do passado: ramos secos.”

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Medo da Verdade (Gone Baby Gone)

Gone Baby Gone que recebeu, em português, o infeliz título de Medo da Verdade é o primeiro trabalho de diretor de Ben Affleck. O enredo é sobre um casal de detetives que é contratado para descobrir o paradeiro de uma garotinha de 4 anos que fora sequestrada. No entanto, nada é tão simples e a trama se complica, tendo um desfecho imprevisível.
Casey Affleck, que atua no papel principal, não chega a convencer como detetive durão, fica meio falso, meio forçado, fraco. Fora isso um bom filme, bem narrado e que conta com a participação de Ed Harris e Morgan Freeman.
Esse filme acaba discutindo um tema interessante: fazer o bem ou fazer o certo? Há um dilema ético presente na resolução filme. E se fazer o certo for prejudicial, ainda assim se deve optar pelo certo?

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Segunda-feira, Julho 13, 2009

Segredo

Tinha 18 anos e os exibia como se fossem quilates. Vestia com elegância e distinção, sempre na última moda e o mais cão, apesar de não ser rica. Suas amigas perguntavam-lhe seu método, porém ela calava, porque simplesmente havia descoberto que para vestir bem, o segredo era desvestir-se bem.
(Texto de Mario Halley Mora traduzido por mim)

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Domingo, Julho 12, 2009

Origens

"Podem desenterra-se os ídolos de pau e ressuscitar os velhos mitos que, melhor ou pior, já deram as suas provas: ressuscitar as místicas do pangermanismo ou do Império Romano. Podem inebriar-se os Alemães com a embriaguez de serem alemães e compatriotas de Beethoven. Pode até embedar-se com isso um carvoeiro. É sem dúvida mais fácil do que tirar do carvoeiro um Beethoven."

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A Guerra dos Rocha

A Guerra dos Rocha. Filme fraco. Direção de Jorge Fernando. Não emplaca. O filme não decola, não sai da mesmice, sequer consegue ser engraçado. Mesmo com alguns bons atores, o filme é mais chato que novela das seis.
E tem o Ary Fontoura travestido em mulher. De muito mau gosto. Giulia Gam faz um papel um tanto estereotipado também. Para adolescentes tem a atuação do Felipe Dilon.
Tudo sem graça.

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Sábado, Julho 11, 2009

Verdade

"A verdade, para o homem, é o que faz dele um homem."

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Repouso

Tuiuiús
põem o sol
do Pantanal

Uma rede dorme em mim.

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Sexta-feira, Julho 10, 2009

Curta "Dia de Folga"

Dia de Folga, curta de Karine Dias (roteiro e direção), um exercício que nos foi dado na Oficina de Roteiro do ano passado.
Estreia da Cirigüela Pictures. Dei uns pitacos na produção do filme e foi muito legal todo o trabalho de improvisação e de criação, principalmente, levando em conta que tínhamos pouco tempo.
O trabalho da Karine ficou muito interessante, mas como primeiro trabalho que é ainda há um longo caminho a percorrer.
O filme só foi possível por insistência e persistência de Marcelo Moreira Santos, que insistiu com a Karine para que terminasse seu roteiro e que o filmássemos, mesmo na falta de tempo que nos acometia.
Enfim, um exercício com um resultado bastante bom.


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Quinta-feira, Julho 09, 2009

História e ilusões

"Mas a História, lida depois das ações, é ilusória"

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Som do Pantanal

escapa um pedaço de som
da harpa paraguaya
que só sabe cantar
a inveja da anhuma

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